sábado, 15 de abril de 2017

BAQUE DO ACRE VOLUME 2 - CONTEÚDO



  CD BAQUES DO ACRE VOLUME II






FICHA TÉCNICA
Produção executiva, direção artística e musical, arranjos, edições e mixagem: Alexandre Anselmo / técnico de gravação: Alexandre Anselmo e Jardel Costa / Masterização: Wanderley Ferrante MCK / Antonio Pedro: composições, voz, violão sustenido, sanfona harmônica 8 baixos (em  12, 14, 16, 23), tambor Kampa, tamborim paxiúba /  Seu Bima: violão solo (em 1, 3, 5, 6, 8, 10, 13, 18, 19, 21, 25) / Carmem Almeida: voz /  Antonio Honorato: tambores de borracha, lata com pele, balde de metal, de tucum com pele, espanta cão, colheres, cavaco banjo / Alexandre Anselmo: violão sustenido e contracantos, cavaco, cavaco banjo, bandolim, sanfona harmônica 12 baixos, baixolão, contra baixo, maracás, chocalhos, agogô de castanha,  triangulo, recos, bumbo, zabumba, pandeiro, tambores acreanos de pele e borracha, espanta cão, todos com execução de acordo com técnicas orientada pelos mestres, samples midi, efeitos acústicos, apitos e captações de ambiências da floresta / Leilane Lima: voz / Marilua Azevedo: ganzá / Artur Miúda: contra baixo /  Victor Romero: cavaco banjo / Gravado entre 2010 e 2014 em home estúdio, Usina de arte, estúdio Nativoz /  Designer gráfico: Gilberto Ávila / Produção geral BAQUEMIRIM / Álbum fonográfico financiado por Fundo municipal de cultura 2012 fundação Garibaldi Brasil / Apoio da Usina de arte,  SEME, Rede Banzeiro, Germano Lins, familiares, amigos e todos que percebem e valorizam a memória e a identidade /  agradecimentos a Deus e à Mãe Natureza / Autoria das canções: Antonio Pedro (2, 4, 7, 9, 11, 15, 17, 20, 22) / Autoria desconhecida ( 1, 3, 5, 6, 8, 10, 12, 13, 14, 16, 18, 19, 21, 23, 24, 25) todos direitos estão reservados, 2014, Rio Branco, Acre, Brasil.
  familiares, amigos (Mayra Pinho, Adalberto Silva,  e todos que percebem e valorizam a memória e a identidade /  2014, Rio Branco, Acre, Brasil.

1.      



TEXTO APRESENTAÇÃO


CONTEXTO

O estado do Acre é conhecido como um estado jovem, porém se forem considerados todos os seres humanos que em seus limites ainda vivem os parâmetros para justificar estes povos temporalmente se modificam muito.
Os primeiros são os povos indígenas, com dois principais grupos troncos étnicos: os Pano que reivindicam a anterioridade local, e os Aruak que descrevem ocupação a partir de mil anos D.C aproximadamente.
Somente a partir da década de 1860 os Brasileiros começaram a se ocupar e se relacionar com os habitantes locais. No que é conhecido como primeiro ciclo da borracha a população predominante era composta por nordestinos de diversos estados, paraenses e amazonenses. A comunicação hídrica pelos rios Purús e Juruá fecha a linha horizontal que esticava no sentido oeste os limites do país. É popularmente conhecido como o tempo dos Brabos.
O segundo ciclo inicia com a segunda guerra mundial, na ocasião da importação de mão de obra para os seringais com uma predominância populacional desta vez, nordestina e principalmente do estado do Ceará. É popularmente conhecido como o tempo dos Arigós. 
Outra parcela muito significativa em nestes dois ciclos foi a população de diversos países do Oriente Médio, vindos de forma espontânea provavelmente e trabalhando principalmente com o comércio em embarcações através das hidrovias.
Com os conflitos entre ocupadores e nações indígenas, foram realizadas a partir do final da primeira década de 1900 foram as primeiras ações de apaziguamento e civilização através da catequização e exploração como mão de obra em muitos casos dentro de características de escravidão.
No esforço de imaginar a convivência daquela época é possível perceber através de escritos, fontes orais, músicas e outras formas de registros que a o universo musical cumpria os diversos papeis sociais nos processos ali desenvolvidos, como comunicação, entretenimento, espiritualidade, resistência cultural e colonização.



CD “O BAQUE DO ACRE

Em 2010 foi aprovado por edital financiado pelo Banco da Amazônia o álbum coletânea “O Baque do Acre”. Seu conceito consistia em registrar, apresentar e divulgar um panorama da música dos mestres tradicionais da música do Acre através de seus repertórios e instrumentos.
Os participantes eram, Antonio Pedro, Seu Bima, Antonio Honorato, Dona Carmem, Tia Vicência, Mestre Aldenor e Chico Bruno.
Em três anos de trabalho o cd foi produzido e o lançamento do mesmo feito nos municípios dos mestres que não retornavam há décadas para os locais onde cresceram e viveram suas músicas.
A produção do áudio foi um processo intenso comparável à montagem de um quebra cabeças de peças desconhecidas. As sessões de gravações eram momentos em que os mestres descarregavam suas bibliotecas sonoras de forma que a o limite de 77 minutos para um CDR ficasse pequeno.


Foto: Vincent Moon


SEGUNDO VOLUME

Com a oportunidade da aprovação em outro edital, neste caso da Fundação Garibaldi Brasil do município de Rio Branco, foi dada a continuidade do projeto.
Este segundo álbum daria o status de coleção como segundo volume do Baque do Acre. Devido aos custos de produção o foco foi o aprofundamento da obra dos artistas Antonio Pedro, Seu Bima, Antonio Honorato e Dona Carmem. 60% do repertório já estava gravado desde o primeiro volume, e ao termino do segundo, ainda restou material para outros números.
O conceito principal do álbum BAQUE DO ACRE II é o hibridismo de uma musicalidade desenvolvida pelos rios, unindo elementos indígenas, paraenses, amazonenses e nordestinos nos seringais principalmente no primeiro ciclo da borracha.
Os temas e canções descrevem as relações e transformações sociais no tempo e espaço que de forma intensa moldou fortes parâmetros de identidade.
No objetivo de aproximar uma musica pouco compreendida do grande publico, desde o primeiro volume foram iniciadas as experiências com frequências de regiões mais graves através de microfonações especificas e em especial a introdução do contra baixo. Este foi cuidadosamente adaptado de acordo com as funções e células dos ritmos ensinados pelos mestres em seus peculiares instrumentos. Os ritmos de baque de samba e marcha ainda não havia sido transpostos para o baixo mas naturalmente as células mais graves destes ritmos possuem espaçamento e desenhos simples o suficiente para que com uma mixagem suave a sensação de chão e balanço ocorra de forma sutil sem interferir ativamente no swing e caracterização rítmica.



INSTRUMENTOS

Foram introduzidos instrumentos que ainda não haviam sidos construídos, adquiridos ou conhecidos no primeiro volume.

1- Os pífanos, conhecidos popularmente como “Pife” traziam resquícios da resistência indígena tanto vinda dos migrantes nordestinos quanto da ancestralidade nativa. Nos sopros nativos predominam flautas da família das Queñas presente em todos Andes, tocadas em posição vertical e sopro produzido por corte em “V”.
Outros sopros nativos são da família dos tubos enfileirados conhecidos como “Flauta de Pan”, conhecidos como “Totama” para os Ashaninkas.
Quanto a sopros de posição transversal, existe um raro instrumento Ashaninka tocado somente pelas mulheres e do tronco Pano existe uma flauta com furos quadrados tocadas pelos Katukina Noke Kui.
Segundo Antonio Honorato, 82, no Alto Purus da década de 1950 era comum o comercio de gaitas nordestinas, feitas de metal, instrumento típico dos Caboclinhos * . Este mesmo senhor ainda cultiva a arte do “pifeiro” que foi muito comum devida a toda sorte de escassez de instrumentos e muita taboca * nos seringais.
Embora tenha perdido algumas referencias para afinação ele ainda produz seus instrumentos e entre seus contemporâneos e muito comum as recordações destes pifeiros e das festas por eles animadas.
Para o álbum, eu fiz alguns arranjos de contra canto e introdução com os pífanos gentilmente presenteados pelo amigo Iago Tojal que produziu um especialmente no tom de Ré maior para as canções de Antonio Pedro.

2- Tambores:




-Tambores de borracha: Feitos com corpo de metal e pele confeccionada de látex defumado. Foram utilizadas peles produzidas em parceria do Sr Aldenor e Antônio Honorato em 2010. A lata deve ser queimada para um timbre mais puro do metal livre de papéis, tintas e ferrugens. Era tocado tanto com as mão quanto com baquetas leves, finas e flexíveis de madeira. É comum o relato da improvisação de sapato de látex em qualquer lata em alguma festa onde faltasse um tambor. A pele sempre é presa por pressão de uma tira de borracha, conhecida por sernambi.
Seu timbre é rico em harmônicos e no desafio de gravar e equalizar foi buscada a conciliação entre frequências de todo o conjunto, presença do   “kick” e o timbre marcante da borracha semelhante a um chute numa bola “dente de leite” para futebol infantil.
Set de tambores acreanos: Procuramos reunir algumas principais variantes dos tambores utilizados tradicionalmente por estes mestres.

-Lata com pele animal: Foi utilizado com pele de carneiro e lata grande para frequências graves.

-Nintiko Ashaninka: tambor tradicional com versões muito semelhantes em outras etnias Aruak como os Manchineri. Este utilizado no álbum é feito de madeira cedro talhada a mão, afinadores de cipó e peles de porco e veado. Frequencia médio – graves.

-Tamborim de paxiúba: Modelo construído nas oficinas de educação patrimonial com Antonio Pedro é o modelo por ele conhecido nos cupixaus do rio Envira entre etnias Shanenawa, Jaminawa e Huni Kui. Desta ultima era seu professor de tamborim, Chico Parirí, com quem aprendeu diversas manulações e células que estão registradas no álbum e fazem parte da sua linguagem, estendida também nos instrumentos harmônicos e melódicos.


-Balde: Feito de metal era utilizado pelo seringueiro na colha do látex que se acumulava nos copinhos presos nas arvores. Assim como o tambor de látex, é muito lembrado como instrumento improvisado, sendo tocado tanto com as mão como com baquetas.

3- Colheres: Instrumento mundialmente utilizado por improviso interpreta nas mãos do Antônio Honorato a tradução de todos os baques por ele conhecidos. Utiliza o joelho e mãos em conchas para produzir batidas dobradas e notas diferentes.

4- Rabeca: O arco possui uma forte referencia na ancestralidade da floresta. Desde seu uso como arma de sobrevivência na caça e guerra ao uso musical para comunicação espiritual. Os arcos de boca tanto dedilhados quanto friccionados com outro arco eram e são utilizados pelos dois troncos linguísticos dos nativos acreanos.
Atualmente mais frequente entre os Manxineru, Ashaninka e Madija. A luteria de rabecas se adaptou facilmente desde o primeiro ciclo e existem depoimentos de indígenas que faziam e tocavam o instrumento, junto com os forasteiros. São conhecidos mestres do instrumento Daniel Pereira de Matos, fundador da linha ayahuasqueira Barquinha e Hélio Melo. O Luthier Neucimar que trabalha em Rio Branco tem como berço da profissão a tradição familiar na luteria de rabecas. O álbum teve a colaboração e parceria do violinista acreano Pedro Cruz em duas faixas.


Foto Arison Jardim

5- Ganzá: Instrumento nordestino é citado em canções de Antonio Pedro e segundo Antonio Honorato tinha função de destaque no Xerém, demarcando as duas partes da dança com células que enfatizam seus movimentos entre “peneirado” (subdividido em semicolcheias) e “machucado” (sincopado).

6- Violão sustenido: Afinação utilizada por Antonio Pedro em que a corda sol é substituída por uma mi aguda afinada uma oitava de sol acima, ou seja, a terceira casa da corda mi aguda. Atribui o uso dela a partir de sua experiência com Ayahuasca e relacionando esta nota mais aguda com o acorde formado nas vozes duplas da sanfona.
Outra referencia é o Chico Cego, violonista que tocou na sede do Santo Daime Alto Santo e segundo o Sr. Júlio Carioca Filho, também utilizava esta afinação e quando não havia a corda certa era usada outra de espessura próxima que por sua vez era lixada para alcançar a nota sem quebrar.

7- Banjo: Nos tempos em que não existia amplificadores, a Del Vechio, uma fábrica de São Paulo desenvolveu instrumentos como violão, bandolim e cavaco em versão banjo, ou seja, com a caixa acústica de madeira e tampo de couro de cabra para atender a necessidade de mais volume para instrumentos de corda, principalmente no contexto dos lugares abertos como as ruas e terreiros. No Acre, além destes trazidos pelos comerciantes fluviais, era comum um cavaco banjo artesanal feito com caixa acústica pequena com cerca de 25 cm de diâmetro e peles de caça do mato, em especial a da cotia, e seu nome popular regional é banjo caçarola, por menção aos instrumentos em que a caixa também poderia ser feita a partir de uma pequena panela velha.



Foto Gilberto Ávila



NOTA SOBRE AUTORIA E DIREITOS AUTORAIS

Este trabalho tem como objetivo o registro urgente de um repertorio com risco real de desaparecimento que já vem causando a ausência de referencias e o agravamento da crise de identidade em que somente a cultura dos opressores predomina como existente.
Os autores e interpretes de 100, 70, 50 anos atrás que viveram no contexto dos seringais do Acre tinham a cultura oral como maior meio de comunicação. Mesmo com a chegada do rádio e os gramofones, o acesso aos mesmos era na realidade muito limitado. É lembrança saudosa da velha guarda musical, as viagens de dias na lama, por curvas de rio ou varadouros de selva para alguma festa, seja de adjunto de roçado *, santo ou aniversário. Não era praxe dar nome as composições que por fim eram lembradas pelo somente pelo ritmo e nome do compositor. A transmissão por memorização criava uma situação propicia a reinterpretação, a versão, a reinvenção. É motivo de orgulho a habilidade em aprender e memorizar canções ou temas quando escutados uma só vez ao vivo ou até a distancia, de um barco por exemplo.
Tanto o termo “Tirar” quanto “copiar” significavam compor, num tempo em que até uma interpretação acabava reinventado repertórios compartilhados por diversos povos. É importante imaginar o que acontecia a nível da subjetividade étnica onde culturas distintas travavam sobreposições, opressões e assimilações. Por exemplo, quais células rítmicas um indígena utilizaria para acompanhar um sanfoneiro nordestino? Mesmo que reprimido ou treinado no padrão estrangeiro, é como um japonês aprender a tocar samba carioca do dia para a noite.
Para fins jurídicos e de ISRC os temas recolhidos por Seu Bima foram publicados com autoria desconhecida, mantendo a autoria Moral nesta publicação anexa. É impossível encontrar qualquer referencia concreta a estes autores, devido aos fatores: tempo transcorrido, dispersão dos grupos por outros seringais e posteriormente para a capital, ausência de dados e informações, ausência de nome nos temas. Existem temas que Antonio Pedro afirma serem de autoria do Bima, que nega a mesma. De qualquer forma a porcentagem que seria desconhecida teve que ser destinada ao próprio Seu Bima, como interprete –autor.
O mesmo ocorreu com Antonio Pedro no caso dos temas de seu pai, José Pedro, por não haver documentação como CPF ou RG para cadastro.
Sendo assim, os direitos autorais estão emparelhados no informante mais próximo da possível fonte ou autor, com ciência de que são registros de patrimônio imaterial sem fins lucrativos e de uma categoria musical sem as menores chances geração de renda significativa.




AUTORIA DAS MUSICAS SEGUNDO SEU BIMA E ANTONIO PEDRO


1      1- BARCO VELEIRO; Choro Lundu; Bima sola Rumão do Pernambuco
2      2- SAMBA DA YOLANDA e 1O DE ABRIL; samba; Antonio Pedro
3      3- XOTE DO CHICO NUNES; xote; Bima sola Chico Nunes
4      4-LUA SOBERBA PASSASSE; marcha; Antonio Pedro
5      5-VALSA XOTE; Desconhecido
6      6-PAPAI ADÃO, marcha; Zé Adelino do Envira
7      7-TOMBO DO CARNEIRO; samba; Antonio Pedro
8      8- SÓ TE PEÇO MEU BENZINHO QUE VÁ (Pedro Barroso)/ Marcha sem nome (Zé Daví)
9      9-BRASILIA; samba; Antonio Pedro
       10- CHORO DO PASSO; choro; Bima sola Antonio Feliciano
1   11-Sambas: PEGA NO PANDEIRO / SAUDADE ADORMECIDA / BAIANO / TAMBORIM NO SERENO; Antonio Pedro
1    12-VALSAS NA HARMÔNICA; José Pedro
      13- EM BELÉM EU NASCI; samba; desconhecido
      14-CARREIRINHA; dança; domínio público
      15.  SAMBAS DO TAMBORIM E DO VIOLÃO; Antonio Pedro
      16.  XEREM NA HARMÔNICA, José Pedro
      17.  O BIGODE / HOMEM DE HOJE EM DIA; samba; Antonio Pedro
      18.  SAUDADE DELA; marcha; desconhecido
      19.  AGUAS VERDES; Choro; Bima sola Chico Nunes
      20.  TUDO MOLE / NÃO VÁ BEBER; samba; Antonio Pedro
      21.  MARCHAS DO ENVIRA (Bima sola Zé do cavaquinho e Nonato Estáquio) 
      22.  DAMA DE AMARELO / LUGAR ESQUISITO; marcha; Antonio Pedro
      23.  CANA VERDE; dança; domínio público
      24.  SIRENE; marcha; desconhecido (coletada por Antonio Honorato)
      25.  MEU DEUS DO CÉU (Baixinho)/ Sem nome (Zé Taumaturgo) marchas





 LETRAS E COMENTÁRIOS




1- O BARCO VELEIRO
Choro lundu
Instrumental

Autor: Rumão do Pernambuco
Solo violão e acompanhamento: Seu Bima
Pandeiro, efeitos, zampoña, banjo: Alexandre Anselmo

Tema em Mi menor com cromatismo característico na região norte. O autor, segundo Bima, chegava de passagem do Pará e era violonista.
Neste arranjo Bima gravou acompanhamento do que ritmo chamado de choro que possui todas as células do lundu paraense. A zampoña entra para enfatizar a beleza da passagem cromática do tema intercalado por progressão harmônica muito típica da pratica violonista.


2- SAMBA DA YOLANDA e 1O DE ABRIL
Baque de Samba
Antonio Pedro


Ói eu sou rio grandense, gosto de Paraguai
Gosto de minhas canções
Olha eu sou moleque bamba eu copeio qualquer samba
Acompanhado em violão

Namorei a Yolanda, ela me pediu um samba
Eu disse eu vou copiar
Quando eu copiei o samba e cantei pra Yolanda
Ela começou a chorar

Eu mandei fazer um sobrado de vinte e cinco janelas
Para morar lá lá
Pra morar com a Yolanda
É uma menina bacana no dia que nós casar

1o DE ABRIL

Quando eu cheguei lá em casa
Encontrei a mulher contrariada
Quando me viu foi dizendo
Por que o senhor não volta pra viver com a sua amada

Eu estranhei sua pergunta
Sem ter o que responder esperando a indicação
Ela já estava zangada
A resposta era uma carta, foi botou nas minhas mãos

A carta era bem filosofada
Carimbada e aletrada, com uma folha de jasmim trá lá lá
Ela leu a carta, olhou para mim e sorriu
Disse eu sou o teu amor, hoje é primeiro de abril

Canções tiradas por Antonio Pedro em sua juventude marcada por três casamentos desde os 16 anos de idade. Todas suas esposas foram carregadas, ou seja, fugiram dos pais e tinham suas vidas matrimoniais construídas com muita independência dentro da floresta. Para isso, o rapaz-homem necessitava apenas de um machado e um terçado, para construir uma casa de paxiúba e da espingarda que trazia o alimento. Passado cerca de um ano as famílias se  na maioria das vezes, se conformavam e reestabeleciam o convívio delegando as responsabilidades hereditárias.
O Samba da Yolanda descreve o sonho e a promessa dele para a amada, e 1o de Abril um momento já do relacionamento em matrimonio.



3-XOTE DO CHICO NUNES
Chico Nunes

Segundo Bima e Antonio Pedro, Chico Nunes era negro de estatura alta e temperamento forte, ao que é comum o adjetivo de “positivo”. Tocava harmônica de 12 baixos e violão, e em suas composições é recorrente como neste xote melodias ao mesmo tempo muito econômicas e complexas quanto os saltos de intervalo e principalmente separando dois temas das tonalidades relativas.
Neste arranjo foram gravados os pífanos e em destaque o espanta cão revezando com a zabumba.



4- A LUA PASSOU
Marcha
Antonio Pedro

E mais se a lua soberba passasse
Eu queria uma noite de lua
Mas o seu guarda saiu lá na esquina
Eu queria me casar com a dona Terezinha

A lua passou
E o seu guarda bambeou
E eu passei um beijo nela
E logo ela desmaiou

Alguns elementos da vida urbana chegavam via oral nos seringais, onde não haviam esquinas nem guarda noturno. Chegavam além de canções que eram reinventadas, histórias de como eram as distantes cidades para onde era destinada a borracha que eles mesmos colhiam.




5-VALSA-XOTE
Valsa / xote
Desconhecido
O repertorio deste CD vem de um contexto em que cumpria seu sentido aliado com a dança. Estas, todas eram de casais e possuíam muitas variantes, e uma delas era a intercalação de ritmos diferentes, como neste exemplo de valsa com xote.
No arranjo temos o revezamento entre a zabumba e o espanta-cão.




6-PAPAI ADÃO
Marcha
Esta marcha Bima atribui a Zé Adelino do Envira, mas tem outra possível autoria por também ser conhecida por pessoas de Cruzeiro do Sul e da Boca do Acre, locais completamente distintos e distantes entre si. Papai Adão é uma canção conhecida do 1o ciclo da borracha, e o segundo tema gravado em seguida, apesar de sua beleza formal não possui referencias de autoria e nome.



7-O TOMBO DO CARNEIRO  
Samba
Antonio Pedro



Olha eu sou moleque dengoso
E também sei cantar

Eu estando com meu pinho
Faço as morenas se incomodar

Ninguém duvide que eu sou cantor
Eu vivo na cidade é soduzindo o meu amor

Mingau de milho, é Carimã bolo de puba
Eu comi Pirapituba e o Mané tomou Aluá.

Olha eu sou moleque dengoso
Também sei tocar

Eu estando com meu pinho
Faço as morenas se incomodar

Ninguém duvide que eu sou cantor
Eu vivo na cidade é seduzindo o meu amor

Mingau de milho, é Carimã bolo de puba
Eu comi Pitapituba e o Mané tomou Aluá.

E olha o tombo do carneiro nero nê lê lê lê

E olha o tombo do carneiro nero lá


Composição da década de 1960 que descreve o status do musico dentro das festas, na esperança de conseguir uma namorada. O refrão é herança dos repentes nordestinos com um típico trava-língua em que são citados alguns alimentos típicos dos seringais, que ficaram no esquecimento, como:
*Mingau de milho
*Bolo de puba
*Pirapituba: macaxeira assada
*Carimã: farinha puba
*Aluá: vinho fermentado de frutas como abacaxi



8-SÓ TE PEÇO MEU BENZINHO QUE VÁ
Marcha
Desconhecido

A primeira marcha Bima atribui ao violonista seringueiro paraense Pedro Barroso. É uma canção que marca uma tragédia: O autor caminhava e cantava esta mesma marcha e numa queda em um barranco sua espingarda disparou provocando sua morte.
A segunda marcha Bima atribui a Zé Daví, acreano, e não possui nome, e também era uma canção.



9-VIAJEM A BRASÍLIA
Samba
Antonio Pedro

No Brasil já inventaram
Mais uma nova cidade

Antigamente era um sonho
Hoje é realidade

A gente vem em Brasília
Estradas que não tem fim

Eu pergunto ao meu Sanango
Ele me responde assim:

Esta vai para São Paulo, Rio Grande e Paraná
Esta vai pra Pernambuco e aquela vai pro Pará

A gente vê o planalto
Parece que dá a imprenssão
A gente vê o céu tão baixo
Parece que encosta no chão

Quem tiver de mala pronta
Pode ir que se dá bem
Junte a suas maleta
E o seu xodó também
Isso é conselho para os homem porque mulher lá não tem

Composta em 1962, celebra e descreve os boatos a cerca da nova capital nacional. A letra mistura sentidos reais e históricos quando cita o “Sanango” que pode ter derivado do “Candango”, que era o colonizador que foi força de trabalho na construção da cidade e ao mesmo tempo agrega sentidos da palavra “Sananga” que é uma medicina indígena para o tratamento da visão, depressão e clarividência. Neste sentido temos imagens surreais de uma viajem área feita pelo próprio Antonio Pedro através da vidência em busca de conhecer a capital distante e seus caminhos Brasil afora.




10- O CHORO DO PASSO
Choro lundu
Desconhecido

Atribuído por Bima a Antonio Feliciano. O titulo dado por ocasião deste álbum é referencia ao uso do tema como introdução na canção O passo da natureza, gravada em seu primeiro álbum com o mesmo nome, também executada por Antonio Pedro, porém adaptada no baque de samba.




11- PEGA NO PANDEIRO
Samba
Antonio Pedro




Pega no pandeiro, sapateia no terreiro até o dia clarear,
Mas olha a lua, como está brilhando, eu estou gostando de ver meu bem sambar.

Pega no pandeiro,vem sambar perto de mim
Vou te ensinar como se bate um tamborim
Eu caio no samba, eu bato a mão em meu pandeiro
Todo mundo grita: Salve o galo do terreiro!

Na roda de samba sempre tem um bacharel
Moro no morro, fica lá pertinho do céu

O cavaquinho que já está me convidando
A batucada que já está se acabando

Você não vai é porque não quer
Não troco o samba por amor de uma mulher
Eu dentro do samba, eu me sinto bem
Eu gosto de você e gosto do samba também

SAUDADE ADORMECIDA 

Saudade adormecia, eu levo o meu sonho a cantar
Como é triste a minha vida de amar aquém não me sabe amar
Quando eu canto menos eu choro, como meu rosto emaçerado
Eu digo adeus porque me adora, com meu coração gelado

Quem espera sempre alcança, diz o ditado
Que o meu modo de pensar está muito errado
Mas eu já perdi a esperança
Mas confio no ditado: Quem espera sempre alcança!

SAMBA DO BAIANO

Ontem eu saí da Bahia porque mandaram me chamar
Porque meu baiano queria ver meu modo de eu sambar

Eu peguei no pandeiro e pulei no terreiro
Eu fiz o samba raiar!

Em menos de dois segundos estava enfestado enfezado
Botei mesmo para abafar
Cheio de gosti –babá
Mas eu deixei meu baiano abafado

Arrecebi um convite
Do diretor da escola
Não preciso de carteira
E nem tão pouco minha cartola

A gente vai como quer
Sozinho com uma mulher
Eu estando no meio do samba
Só não dança quem não quer





TAMBORIM NO SERENO

Botei meu tamborim La na calçada
O orvalho da madrugada molhou

A noite está se passando
Meu colegas estão me esperando
Sem tamborim eu não vou

Já estou fazendo falta
No meio da batucada
Porque não fui o samba
A Iá Iá já está zangada
Eu comprei com a baiana
E fiz tudo por ela enfim
E o malvado do sereno molhou meu tamborim

Nasci pra cantar samba
Nos batuques alevados
Nasci pra cantar samba
No romper da madrugada
Essas morenas
Elas não olham pra mim
O malvado do sereno molhou o meu tamborim


O Pout Pourri foi montado com o objetivo de agrupar canções com a temática do samba.
Pega no pandeiro é muito antigo e agrega um refrão “Você não vai, é por que não quer...” que é conhecido por outras fontes, mas a letra é reivindicada pelo autor Antonio Pedro. Descreve o ciúmes da mulher que não quer acompanhar o esposo que gosta de ir as festas.
Saudade adormecida foi composta quando ainda tinha 14 anos, para uma namorada que se tornaria sua primeira esposa.
Samba do baiano foi escolhida pelo titulo, mas já na finalização do álbum foi revelado que não é uma canção de festa, e sim um enverseio de doutrina de espíritos agressivos. Na miração, visitou um terreiro da Bahia onde foi testado. Em sua apresentação, provoca a ira do espirito do baiano que fica enfezado, e é “abafado” por sua execução do samba com o pandeiro. Dominada a força contrária, recebe o convite da direção da escola ayahuasqueira onde não leva carteira (apegos materiais) nem a cartola (vaidades) e entra com sua companheira Dona Carmem no reinado espiritual.
Tamborim no sereno já é uma canção de festa, com a figura central do instrumento que nomeia os tambores acreanos de borracha ou pele animal.


12- VALSA NA HARMÔNICA
Valsa
José Pedro (pai de Antonio Pedro)

São duas valsas atribuídas a seu pai Jose Pedro com arranjos em tambor de látex.
Execução de Antonio Pedro na harmônica de 8 baixos.




13- EM BELÉM EU NASCI
Samba
Desconhecido

Jesus, em Belém eu nasci
Quem me dera eu voltar
Pro Belém do Pará

Tem tem xiquixí
Tem tem sururu
Tem tem malacú
Tem tem tacacá

Nas sessões de gravação de 2010 seu Bima executou este solo com dois sambas emendados. O primeiro que da o titulo da faixa teve a primeira parte da letra lembrada por Antonio Honorato e a segunda parte por Antonio Pedro. Já após o termino do álbum foi descoberta uma versão gravada por Luis Gonzaga em que somente o primeiro trecho da letra fazia parte de uma letra bem maior, podendo ser um a versão acreana uma recriação a partir de um fragmento. Mas um dado importante é que existem diversas canções do cancioneiro seringueiro em que é descrita a saudade dos paraenses para com sua terra natal dado o grande contingente de trabalhadores migrados deste estado, dissolvendo a ideia hegemônica da colonização nordestina nos seringais.
O segundo tema é identificado por Antonio Honorato como um samba “machucado” devido a qualidade de suas sincopas com tendências tercinadas.




14- CARREIRINHA
Xote de salão
Tradicional domínio público

Dança de casal com passos soltos e voltas, muito apreciado nos barracões. Execução de harmônica de 8 baixos por Antonio Pedro.




15- O TAMBORIM E O VIOLÃO
Samba
Antonio Pedro

TAMBORIM NA CALÇADA

Deixei meu tamborim La na calçada
O orvalho da madrugada molhou

A noite está se passando
Meu colegas estão me esperando
Sem tamborim eu não vou

Nasci pra cantar samba
Nos batuques alevados
Nasci pra cantar samba
No romper da madrugada
Essas morenas
Elas não olham pra mim
O malvado do sereno molhou o meu tamborim

SAMBA DO VIOLÃO

O meu violão, porque chora tanto assim?
Chora lamentando a minha dor

Se for por causa daquela ingrata violão,
Vou te consolar que também vivo sem amor

Eu não tenho mais amor nem amizade
Vou viver com a saudade que o destino me deixou

Se for por causa daquela ingrata violão,
Vou te consola que também vivo sem amor

Primeiro o samba do tamborim que se espalhou por muitos seringais da época, ainda lembrado por indígenas mais antigos da etnia Yawanawá por exemplo.
Na introdução um solo de tamborim executado por Antonio Pedro, além de outros gravados durante a faixa.
O samba do violão também é muito antigo composto ainda em sua juventude.




16-XERÉM DE SERNAMBÍ
Samba
José Pedro (pai de Antonio Pedro)

Dança trazida do nordeste, é possui duas partes em que os movimentos também acompanham a subdivisão da musica em que é dado o adjetivo de peneirado devido o encurtamento dos passos. É descrita como dança de terreiro e com passos arrastando os pés no chão. Execução de harmônica de 8 baixos por Antonio Pedro.




17- O BIGODE E HOMENS DE HOJE EM DIA
Samba
Antonio Pedro


O BIGODE

Quando eu cheguei lá em casa
 A mulher começo a falar
Cala a boca deixa de conversa
Eu já tô é pra me danar
E eu voltei para o barbeiro, fiz o bigode ele emendar

Cadê tua barba
O barbeiro tirou
Mas cadê teu bigode
O barbeiro rapou

Quando eu cheguei lá em casa
A mulher tava danada
Com a cuia de farinha
E um pedaço de carne assada
E eu voltei para o barbeiro, fiz o bigode ele emendar

Cadê tua barba
O barbeiro tirou
Mas cadê teu bigode
O barbeiro rapou

No dia que eu for baixar
Saudade eu vou deixar
Eu vou embora daqui
Não sei se ainda volto cá
E eu voltei para o barbeiro, fiz o bigode ele emendar

Cadê tua barba
O barbeiro tirou
Mas cadê teu bigode
O barbeiro rapou

OS HOMENS DE HOJE EM DIA

Os homens de hoje em dia são sujeito as mulher
Malando, não vá para isso, veja, veja se não é!

O pobre homem levanta de manhã cedo
Chega logo na cozinha, faz o fogo e faz café

E a mulher sapateia no corredor
-Na cozinha ou não vou, e faça café se quiser

E o malandro acha que não está direito
-Eu morro magro mas não me asujeito, eu nasci foi para ser homem!


Sambas que descrevem com humor as mudanças sociais na vida conjugal em relação ao machismo. Quando diz em baixar se refere a partir embora descendo o rio.




18- SAUDADE DELA
Marcha
Desconhecido

Marcha em lá maior com execução de Seu Bima.


19- ÁGUAS VERDES
Choro lundu
Chico Nunes

Este tema também foi utilizado por Antonio Pedro como samba no CD “O baile do seringueiro” como introdução da canção “Samba da boca do Acre”. O autor tocava harmônica e violão e tem na execução técnica e linguagem violonística, partindo da tonalidade de mi menor que possibilita um slide na abertura da melodia e o uso de cordas soltas. A segunda parte da melodia tem sincopas rebuscadas.




20- TUDO MOLE E NÃO VÁ BEBER
Samba
Antonio Pedro

TUDO MOLE

Se tudo mole toma mais um gole, fica todo mole
E não vai fazer um pontinho dentro do botequim

E aproveita quando a filha bebe,
E depois ainda não leva um bocadinho para mim

De manhazinha lá em casa toda hora
Parece que nós já mora dentro de um bilhar

A três dias passa a mão no taco
Esperando até um dia do dinheiro que ganhar

Dm

Botei comida para você no fogo
Deixou o dinheiro no jogo e não sobrou nenhum vintém

E na sinuca de não ter saída,
Quem sabe da sua vida é o dono do armazém
E a três dias passa a mão no taco
Esperando até um dia que o dinheiro vem

D

Vai na sinuca de ‘bi”*, ei!
E dá no passo do baião

*dinheiro 

NÃO VÁ BEBER

Não vá beber, tú não vá te embriagar
Por uma mulher que a você não soube amar
Isso não está bem, isso aqui não está direito
A mulher hoje em dia não tem diferença a ninguém

Mas quando um grande amor for embora
A gente fica triste mas não chora
Procura se conformar, que o tempo faz esquecer
Mas não adianta beber


O primeiro tema conta a história de uma família dominada pelos vícios do álcool e do jogo e o segundo é um conselho para não beber por causa de amor não correspondido. Tem como destaque a execução do instrumento endêmico no Acre, o Espanta-cão.


21- MARCHAS DO ENVIRA
Marchas
desconhecido

Duas marchas recolhidas por Bima nos seringais do rio Envira da década de 1950. Atribui a primeira a um caboclo acreano chamado Zé do cavaquinho  e a segunda ao cearence Nonato Estáquio.
Antonio Pedro executa um tamborim grave acentuando a linha rítmica que acompanha a melodia, muito característica no baque de marcha.



22- A DAMA DE AMARELO E LUGAR ESQUISITO
Marchas
desconhecido


A DAMA DE AMARELO

O que é que tem aquela dama de amarelo
Três vez que eu tiro ela, ela está me recusando.
Cadê meu chefe da casa,
E o fiscal do salão, não posso  resolver ô, esta situação.

Eu fui cortado pela dama de amarelo
E arismim, arismim, eu não sou um par de chinelo  (arismim=ressentimento)
Pois eu sou um cavaleiro que eu já paguei para entrar
Ou devolva o meu dinheiro ou ela tem que dançar.




LUGAR ESQUISITO

Eu te botar num lugar esquisito
Onde não ouça grito e galo cantar
E só se ouve o pipoco da bala, a fumaça pólvora e ele guerrear

Lá na cajazeira já tem luz elétrica
Mas ninguém não sabe quem foi quem botou
Foi um rapaz que veio da Alemanha
Todo mundo apanha no pé do motor

Dama de amarelo é uma personagem quase mítica dos bailes seringueiros, que era referencia à moça que dava “canelada”, ou seja, se recusava a dançar. Era comum neste caso a punição com a exclusão da festa em um quarto da residência, pois isso era considerado uma desfeita com o dono da festa e a quem levou a canelada. O ambiente era ordeiro e respeitoso, onde todos deveriam dançar de forma respeitosa e sem malícia. Quem tinha filhas ou e esposa não era bem vindo nas festas sem a presenças mesmas, também sendo um desrespeito por desconfiar da integridade dos homens, havendo o dizer de que “quem não levar mulher também não dança”. Curiosamente, apesar do folclore a respeito dos bailes em que homens dançavam com homens, nas fontes diretas não foram encontradas referencias a esta prática.
É citado o fiscal do salão, que era uma pessoa responsável por manter a ordem na festa recebendo as bebidas trazidas pelos convidados e servindo em um único local no interior da residência, não sendo permitido o uso nos locais externos que recebiam o nome de “barreiro”(local onde os animais de juntam para se alimentarem do sal contido na lama).

Lugar esquisito é uma recriação de uma canção do tempo da segunda guerra e a ameaça de ser mandado para a Europa para o front. A segunda estrofe misteriosamente denuncia a presença de um alemão que instalava a luz elétrica gerada por motor a combustível.


23- CANA VERDE
Dança de salão
Tradicional domínio publico

Com execução de Antonio Pedro na harmônica de 8 baixos é uma dança com herança do brinquedo Escravos de Jó, de provável origem oriental, ainda encontrada na Índia e Indonésia, em que os brincantes dançam sobre varas dispostas no chão.


24- SIRENE
Marcha
(Desconhecido, recolhido por Antonio Honorato de Holanda)


Ê cadê a sirene
Ela está para baixar
Em outubro de novo
Ela vai voltar

Sirene quando sobe
Que no rio deixa um banzeiro
Joga as canoas no seco
E de trás o fumaçeiro

Ela apanhou do Joval
Ninguém pode dizer nada
Que o Joval ia seco
Sirene ia carregada

Sirene quando sobre
Traz do cachimbo o chapéu
Mas o dono da Sirene
É seu Raimundo Xaviel

Sirene quando sobre
Traz do cachimbo a xita
Aqui no rio Purus
Sirene é a mais bonita
Sirene é um barco
Que aqui foi do melhor
A lembrança desta música
É o senhor Chico Arigó

Recolhida por Antonio Honorato quando morava na década de 1950 no rio Purús, seringal Andirá.
Quando alguém sonhava por três sexta feiras que um espirito indicava um local determinado, era sinal de que ali estava enterrado um tesouro chamado “Botija”, que era um grande vaso de cerâmica recheado de ouro. Isso pode te relação com o afamado mito do Eldorado em que os indígenas teriam enterrado essas riquezas para esconder dos espanhóis. Quem a encontrasse teria como contrapartida da riqueza adquirida não poder nunca mais morar no local onde foi encontrada, sob pena de morrer de doença ou acidente.
A autoria é indicada pela citação do Chico Arigó, que conta a história do Raimundo Xavier que encontrou a dita Botija e comprou uma baleeira, embarcação típica usada pelos comerciantes e a batizou de Sirene. A canção cita os produtos que trazidos por ele que pelo vivia em transito pelo rio Purús, e o episódio em que perdeu uma corrida com outra embarcação chamada Joval.



25- MEU DEUS DO CÉU
Marcha
Desconhecido

O primeiro tema que da nome a faixa é atribuído por Bima ao acreano conhecido como Baixinho, e o segundo não tem título, do paraense Zé Taumaturgo. “Meu Deus do céu” é uma exclamação muito típica do povo acreano, encerrando a segunda edição da coleção BAQUE DO ACRE.





foto Priscila Tellmon























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